O destreinamento é um processo explicado pelo princípio da reversibilidade, ou seja, interromper ou reduzir substancialmente o treinamento causará redução completa ou parcial das adaptações induzidas pelo treinamento anterior. 

Um estudo com remadores de nível olímpico mostrou que os atletas precisaram de 20 semanas de treinamento para retornar ao seu nível de condicionamento após 8 semanas de destreino. Isso é explicado por mudanças fisiológicas que ocorrem durante o destreinamento. Por exemplo, um período de 4 a 8 semanas de interrupção do treinamento pode reduzir o volume total de sangue, a força de contração cardíaca e o volume total de sangue ejetado pelo coração. Essas alterações promovem redução da resistência aeróbia (cardiorrespiratória) pela redução do transporte de oxigênio. Além da função cardíaca, outras alterações correm com o destreinamento de curto prazo, como reduzir das atividades de enzimas musculares e a eficiência da ventilação pulmonar. 

Uma questão importante sobre o destreino é que é possível reduzir a capacidade de desempenho sem alteração no consumo máximo de oxigênio. Nas postagens anteriores discutimos os determinantes do desempenho em corridas de endurance. A mudança no metabolismo muscular aumenta a preferência pela utilização de carboidratos e reduz a capacidade de queimar gordura, que por sua vez, diminui o tempo de tolerância ao exercício e reduz a capacidade de tolerar a fadiga. Outra questão importante com o destreino é a perda da força muscular. A menor capacidade de produção de força exige do músculo mais trabalho e gasto de energia durante a corrida. Isso diminui a eficiência do movimento e como consequência a perda de desempenho. 

Quanto tempo posso ficar sem treinar e não perder as adaptações que adquiri? 

Não existe uma resposta única e que sirva para todos, pois varia muito em função do sexo, nível de treinamento, estado nutricional, etc. Entretanto, muitos estudos concordam com o valor de 10 dias de destreino. Após esse período existe uma notável redução do metabolismo aeróbio muscular com subsequente redução do desempenho. 

Para a manutenção dos ganhos obtidos podemos reduzir o volume semanal (total de quilômetros ou minutos por semana) em aproximadamente 30%, sem redução da intensidade de treinamento. Essa redução do volume não causará 

Bons treinos a todos e a todas!

Douglas Popp Marin, PhD

Referências

Godfrey R, Ingham AS, Whyte GP. The detraining and retraining of an elite rower: a case study. J Sci Med Sport. 2005 Sep;8(3):314-20.

Madsen K, Pedersen PK, Djurhuus MS, Klitgaard, NA. Effects of detraining on endurance capacity and metabolic changes during prolonged exhaustive exercise. J Appl Physiol. 1993 Oct;75(4):1444-51

Mujika, I., Padilla, S. Detraining: Loss of Training-Induced Physiological and Performance Adaptations. Part I. Sports Med 30, 79–87 (2000).